A reação do mundo rabino diante da recente declaração do Vaticano em torno da postura dos cristãos no holocausto merece algumas considerações de ordem geral e desejo aproveitar desta oportunidade para compartilhar com os leitores de um modo geral. No entender de muitos estudiosos, o tema é de suma importância, em termos não só de ecumenismo, mas mesmo da própria definição histórica do cristianismo.
É importante a definição do respeitado historiador da universidade de Glasgow,Frend, que afirma que, até a época de Celso ou seja, até a década de 170 dC, o cristianismo é judeu. Nessa linha seria melhor abandonar de vez o confuso termo "judeu-cristianismo" e passar a considerar o cristianismo, nos primeiros 130 anos de sua existência, ou seja entre 40 e 170, como uma dissidência no seio do judaísmo. Isso é fundamental. Assim como o termo "judeu" no evangelho de João significa "os que não concordam com Jesus", assim também o termo "gentio" na expressão do apóstolo Paulo pode perfeitamente significar "os (judeus ou simpatizantes) que não praticam mais a circuncisão, ou as restrições alimentares próprias ao judaísmo ortodoxo".
Os evangelhos situam-se na época que podemos chamar de "afirmação presbiteral" (80-100). Os presbíteros, na realidade "rabinos da dissidência", insistem nas diferenças, compram brigas com os rabinos ortodoxos. Mexem muito com a tradição em torno do evangelho da paixão, fazendo crer - e hoje sabemos: erroneamente - que o povo judeu teria sido o responsável pela morte de Jesus. As terríveis palavras "Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" ainda se cantam nas liturgias, com grande desorientação dos fiéis. Resta uma tarefa difícil, delicada e importante: reconhecer que os evangelhos também não são imunes ao que chamamos de ideologia, e corajosamente tomar uma posição, pois como está escrito não está de conformidade com o que aconteceu: Jesus foi condenado por tribunal romano, segundo os procedimentos romanos. Isso está claro na pesquisa atual. No limiar do terceiro milênio nós temos que considerar isso, não é de forma nenhuma um assunto secundário, pois o ecumenismo com o judaísmo é o pai de todos os ecumenismos. Não adianta falar em ecumenismo sem considerar esse ecumenismo com o mundo judaico, de onde originou-se o cristianismo.
Quando Celso, na década de 170, desafia os cristãos a finalmente encararem o mundo "real", e portanto, a cultura helenizada, ele não encontra ninguém a respondê-lo à altura. Foram precisos 70 anos para que Orígenes finalmente reassumisse o diálogo, dando a conhecida guinada para o tema de que a unidade do império é uma predestinação monoteísta e que o imperador entra no plano do único Deus. O sucesso da resposta de Orígenes foi grande e o cristianismo aí espalhou-se com tanta rapidez, que Porfírio, apenas uns vinte anos após a resposta de Orígenes, declarou num tratado contra os cristãos que o cristianismo era pregado "nos cantos mais afastados da terra habitada".
Mesmo assim o cristianismo permanece uma religião semita, oriental, apesar das sucessivas ocidentalizações. Só quem lutar por conquistar uma sensibilidade semita pelas palavras, pelas imagens, pelo jeito de ser semita é que pode penetrar de verdade nos textos sagrados. Praticamente devemos tudo aos judeus. O verdadeiro ódio aos judeus que se percebe em eminentes padres da Igreja de Roma, deve ser definitivamente superado, pois não tem fundamento. Isso aplica-se a quase todo o pensamento cristão. O cristianismo nem de longe fez os esforços que se fazem necessários nesse sentido.
A cultura cristã ocidental de nossos dias permanece anti-semita, pois a perseguição aos judeus na Alemanha nos anos 30 não se deve unicamente ao nazismo. Em muitos lugares, os cidadãos, cristãos na sua grande maioria, colaboraram com gozo e exaltação à humilhação dos judeus. Foram "colaboradores benevolentes" como diz um livro recente, por sinal traduzido pela Companhia das Letras. Isso é a grande vergonha e nesse sentido a recente declaração do Vaticano vai no bom sentido, embora sendo largamente insuficiente.
Esse é um tema para os cristãos do Brasil. Nós não somos tão ocidentais como os europeus. Temos uma "fértil fronteira" com o Islã. É só observar o que trata o livro "Casa Grande & Senzala"). Também uma estreita ligação com os mundos africano e indígenas. Podemos colaborar na discussão e sobretudo conscientização, mesmo nesse tema que aparentemente pouco nos toca.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Pensamento de John Lennon
A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Pensamento de Frank Sinatra
"A coisa que mais me influenciou foi a forma que Tommy tocou seu trombone. Foi idéia minha fazer a minha voz trabalhar da mesma forma que um trombone ou violino. Não parecer como eles, mas 'tocar' a voz como esses instrumentistas."
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Ele possui a aparência de um Mestre
É normal, a cada dia, nas ruas de Mundo Novo, nos depararmos com a presença de um Homem de meia idade, de voz mansa, muito simpático e educado. Fala muito de evolução, e se preocupa em tecer elogios a todas as crenças e pessoas, limitando-se apenas a dizer que é um Irmão. Tem os cabelos ligeiramente crescidos e barba por fazer. Carrega seus pertences numa pequena bolsa, levando uma Bíblia na bagagem, e quando pode, abre-a para leitura devocional. Nunca se coloca como o Mestre, embora seja parecido com um dos muitos mestres, pelas atitudes e jeito muito tranqüilo de expor suas idéias. Mora na casa de um amigo na cidade de Mundo Novo.
Romildo Alves da Silva, 47, de origem humilde, migrou-se do Paraná e seus pais residem em Japorã. Diz ter estado num cativeiro por mais de três anos, conseqüência de erro praticado contra alguém que lhe teria feito um mal. Arrependido, informa que hoje jamais faria tal coisa, porque ainda em tempo, conheceu a verdade que liberta. Foi casado e hoje vive sozinho, mas admite que “o Pai está preparando para mim uma nova companheira, pois o homem não deve viver só.”
Questionado sobre suas crenças pessoais, o nosso “mestre” diz que é reencarnacionista, pois ele é fruto desta fé, embora freqüente missas católicas. Cita ele passagens bíblicas, detendo-se no primeiro capítulo do Evangelho de João: “O Verbo se fez carne...”
Faz algumas comparações no campo religioso, comentando positivamente as muitas formas de adoração nas igrejas e templos, chamando a todos de Irmãos. Lembra ainda que o Mestre Jesus, em seu Ministério, freqüentava as sinagogas judaicas, e certamente, não faria acepção de nenhum grupo religioso em nossos dias.
Mais adiante, após ter demonstrado uma peculiar sabedoria, informa que conviveu em Maringá com um grupo de Templários, com quem aprendeu lições preciosas. Referia-se à Fraternidade dos Rosacruzes, que tem as características descritas por ele.
Romildo fala de suas experiências como Homem, seus contatos diários na comunidade e a maneira como é tratado pelas pessoas. Com seu jeito muito especial de se vestir, usando as tradicionais túnicas, que eram usadas nos tempos primitivos, ele confessa que atrai a atenção de muita gente por onde anda, mas algumas vezes tem que enfrentar as chacotas, o que acha muito natural. “As pessoas têm o direito de viver na ignorância, mas aos poucos estão evoluindo.”, conclui o mestre.(Jairo de Lima Alves)
Romildo Alves da Silva, 47, de origem humilde, migrou-se do Paraná e seus pais residem em Japorã. Diz ter estado num cativeiro por mais de três anos, conseqüência de erro praticado contra alguém que lhe teria feito um mal. Arrependido, informa que hoje jamais faria tal coisa, porque ainda em tempo, conheceu a verdade que liberta. Foi casado e hoje vive sozinho, mas admite que “o Pai está preparando para mim uma nova companheira, pois o homem não deve viver só.”
Questionado sobre suas crenças pessoais, o nosso “mestre” diz que é reencarnacionista, pois ele é fruto desta fé, embora freqüente missas católicas. Cita ele passagens bíblicas, detendo-se no primeiro capítulo do Evangelho de João: “O Verbo se fez carne...”
Faz algumas comparações no campo religioso, comentando positivamente as muitas formas de adoração nas igrejas e templos, chamando a todos de Irmãos. Lembra ainda que o Mestre Jesus, em seu Ministério, freqüentava as sinagogas judaicas, e certamente, não faria acepção de nenhum grupo religioso em nossos dias.
Mais adiante, após ter demonstrado uma peculiar sabedoria, informa que conviveu em Maringá com um grupo de Templários, com quem aprendeu lições preciosas. Referia-se à Fraternidade dos Rosacruzes, que tem as características descritas por ele.
Romildo fala de suas experiências como Homem, seus contatos diários na comunidade e a maneira como é tratado pelas pessoas. Com seu jeito muito especial de se vestir, usando as tradicionais túnicas, que eram usadas nos tempos primitivos, ele confessa que atrai a atenção de muita gente por onde anda, mas algumas vezes tem que enfrentar as chacotas, o que acha muito natural. “As pessoas têm o direito de viver na ignorância, mas aos poucos estão evoluindo.”, conclui o mestre.(Jairo de Lima Alves)
domingo, 24 de fevereiro de 2008
A Evolução do Homem e a Criação de Deus
A questão Criacionismo e Evolucionismo tem ganhado espaço na mídia e na imprensa em discussões, polêmicas, artigos, reportagens e opiniões. Esse tema vem sendo ainda reforçado, ultimamente, por visões político-administrativo-religiosas de governos que, por ignorância e/ou interesses laterais, mas prioritários, tomam decisões a favor do obscurantismo, como é o caso dos que proíbem o ensino da teoria evolucionista em escolas públicas e como seria o caso se se proibisse, da mesma forma, o conhecimento do criacionismo, seus fundamentos e seus argumentos de fé e de razão.
Esse fenômeno, que hoje tem no mundo uma certa amplitude e generalização, reflete-se também aqui no Brasil, em particular em algumas situações como a que vive o ensino público no Rio de Janeiro em que a adoção oficial de uma linha criacionista exclusiva cria, para dizer o mínimo, embaraços de clareza ao entendimento e à razão.
Como as questões de fé têm razões que a própria razão desconhece e como a razão tende a se embaraçar consigo mesma, quando se trata da fé na razão e de tentar explicar e entender a razão da fé, não é simples, nem tampouco trivial optar por uma coisa ou outra sem os dogmatismos eclesiásticos ou laicos que tanto ruído causam à convivência das boas perguntas com o esforço sincero da demonstração das respostas apresentadas em bem arquitetadas hipóteses de verdade, de beleza e de bondade, divinas ou humanas, pouco importa, porque sempre formuladas pelo próprio homem.
A pretexto dessa discussão, traduzo aqui, de modo livre e quase que inteiramente, o capítulo LXIX do livro Summing up, de Somerset Maugham, publicado pela primeira vez em 1938, no qual, como o nome em inglês sugere, o autor faz um resumo, uma súmula de sua vida intelectual de escritor.
Por alguns capítulos, o autor discute a questão do sentido da vida, na hipótese de que ela tenha algum, trata de diferentes filósofos e filosofias, de religião, das leituras-guias de sua indagação em busca de respostas e vai consolidando, para si e para o leitor que o acompanha na viagem intelectual, a convicção do agnosticismo afirmado como fecho do capítulo.
O texto aqui traduzido pode contribuir ao debate de dois modos: pela fineza argumentativa e poética de sua construção enunciativa; pela beleza simples e clara do conteúdo enunciado.
"mas ainda não tratei do tema do mal. O problema aumenta quando se considera se Deus existe, e se existe, que natureza lhe deve ser atribuída. Houve um tempo em que, como todo mundo, dediquei-me à literatura dos trabalhos dos físicos. Estava, então, tomado pelo arrebatamento da contemplação das inúmeras distâncias que separam as estrelas e pelos vastos períodos de tempo que sua luz tem de atravessar para chegar até nós. Eu estava entorpecido pela inimaginável extensão das nebulosas. Se entendi direito o que li, devo supor que no começo as duas forças de atração e de repulsão se compensavam de maneira que o universo, por incontáveis eras, permaneceu em perfeito equilíbrio. Então, em algum momento houve um distúrbio e o universo, saindo deste estado de equilíbrio, deu origem ao universo que nos é contado pelos astrônomos e à pequena Terra que conhecemos. Mas o quê causou o ato original de criação e o que transtornou o equilíbrio do universo? Parece inevitável apontar para a concepção de um criador e o que, senão um ser todo poderoso, poderia criar este vasto e estupendo universo? Mas aí o mal do mundo nos força à conclusão de que este ser não pode ser todo poderoso e todo bondade. Justamente um Deus todo poderoso poderia ser acusado pelo mal do mundo, parecendo, assim, absurdo considerá-lo com admiração e tratá-lo com devoção. Mas a razão e o coração se revoltam contra a concepção de um Deus que não seja só bondade. Somos, então, forçados a aceitar a suposição de um Deus que não seja todo poderoso: tal Deus não contém em si mesmo nenhuma explicação para a sua própria existência ou para a existência do universo que ele criou.
É um fato singular que quando se lêem os documentos nos quais se fundam as grandes religiões do mundo se observe que através dos tempos se leu neles muito mais do que eles contêm. Seus ensinamentos, seus exemplos criaram um ideal maior do que eles próprios. Muitos de nós ficamos embaraçados quando recebemos cumprimentos e louvaminhas. É estranho que o devoto pense que Deus possa comprazer-se quando faz, sensivelmente, o mesmo com Ele. Quando eu era jovem, tinha um amigo mais velho que me pedia freqüentemente para ficar com ele em sua cidade. Era um homem religioso que lia preces para a família reunida toda manhã. Mas ele tinha rasurado com lápis todas as passagens do Livro das Orações que louvavam a Deus. Ele dizia que não havia nada mais vulgar do que ficar elogiando as pessoas na frente delas próprias e que ele, um cavalheiro também, não podia acreditar que Deus fosse tão deselegante a ponto de gostar disso. Na época, parecia-me uma excentricidade. Hoje penso que meu amigo tinha muito bom senso.
O ser humano é apaixonado, é fraco, é estúpido, é digno de piedade; atrair para ele algo tão tremendo quanto a cólera de Deus parece estranhamente inepto. Não é difícil perdoar nos outros os seus pecados. Quando nos pomos nas suas peles, em geral é fácil ver o que os levou a fazer coisas que não deveriam ter feito e podem se encontrar desculpas para eles. Há um instinto natural de raiva quando algo é feito a alguém que o leva a agir com vingança, e é difícil para quem está envolvido tomar uma atitude de distanciamento; mas uma pequena reflexão permite-nos olhar a situação de fora e com alguma prática é possível perdoar o dano feito por uma pessoa mais do que por outra. É muito mais difícil para as pessoas perdoarem o que se faz contra elas próprias; para isso é preciso, de fato, um poder de espírito muito especial.
Todo artista deseja que acreditem nele, mas não se zanga com aqueles que não aceitam o que ele pretende comunicar. Deus não é tão razoável. Ele anseia tanto ser acreditado que você pode pensar que ele necessita de sua crença para assegurar-se de sua própria existência. Ele promete recompensas àqueles que acreditam nele e ameaça com punições terríveis aqueles que não acreditam. Quanto a mim, não posso acreditar em um Deus que se zanga comigo porque não acredito nele. Não posso crer em um Deus que é menos tolerante do que eu. Não posso acreditar em um Deus que não tem nem humor nem senso comum. Plutarco, há muito tempo atrás, pôs a questão de maneira sucinta. 'Prefiro muito mais que os homens digam de mim que nunca existiu, nem existe um Plutarco, do que digam que Plutarco é um homem inconstante, volúvel, irascível, vingativo por pequenas provocações e aborrecido com bobagens'.
Embora os homens tenham atribuído a Deus imperfeições que eles deplorariam neles próprios isso não prova, contudo, que Deus não existe. Prova apenas que as religiões que os homens aceitaram não são mais que trilhas sem rumo cortadas numa impenetrável floresta, nenhuma delas levando ao coração do grande mistério. Vários argumentos foram aduzidos para provar a existência de Deus, e eu quero pedir ao leitor que seja paciente comigo enquanto os considero aqui de maneira bastante breve. Um deles assume que o homem tem uma idéia de um ser perfeito; e já que a perfeição inclui a existência, então um ser perfeito deve existir. Um outro sustenta que todo acontecimento tem uma causa e uma vez que o universo existe, deve haver uma causa dessa existência e esta causa é o Criador. Um terceiro, o argumento do desígnio, que Kant disse ser o mais claro, o mais antigo e o que melhor se adequa à razão humana é assim afirmado por um dos personagens nos grandes diálogos de Hume: 'a ordem e o arranjo da natureza, o curioso ajuste das causas finais, o uso simples e a intenção de todas as partes e órgãos, tudo isso indica claramente uma causa inteligente ou um Autor.' Mas Kant mostrou de modo conclusivo que não havia nada a dizer a favor desse argumento que não pudesse ser dito dos outros dois. Em seu lugar propôs um outro. Em poucas palavras, trata-se do argumento de que sem Deus não há garantia de que o senso de responsabilidade, que pressupõe um eu livre e real, não é uma ilusão, seguindo-se daí que é moralmente necessário acreditar em Deus. Contudo, isso pode ser creditado, de um modo geral, mais à natureza amigável de Kant do que à sua sutil inteligência. O argumento que me parece mais persuasivo do que todos esses outros é um que agora está em desuso. É conhecido como a prova e consensu gentium. Afirma que todo homem, desde a origem mais remota, tem alguma forma de crença em Deus, e que é difícil imaginar que essa crença que cresceu com a raça humana, aceita pelos sábios do oriente e pelos filósofos da Grécia, os grandes escolásticos, não tenha, de fato, nenhum fundamento. Pareceu a muitos uma crença instintiva e pode ser que assim seja (pode ser, porque nada aqui é seguro) já que um instinto não existe a menos que haja uma possibilidade de que ele seja satisfeito. A experiência tem mostrado que a prevalência de uma crença, não importa por quanto tempo ela tenha se sustentado, não é garantia de sua verdade. Perece, assim, que nenhum dos argumentos para a existência de Deus é válido. Mas, é claro que não se desaprova sua existência porque não se pode prová-la. Respeito e admiração permanecem no sentido de desamparo do homem diante de seu desejo de atingir a harmonia entre si e o universo. Essas, mais do que a adoração da natureza ou a veneração dos ancestrais, mágica ou moralidade, são as fontes da religião. Não há razão para crer que aquilo que se deseja, existe, mas é um exagero dizer que você não tem direito de acreditar naquilo que você não pode provar; não há razão por que você não deva continuar acreditando mesmo advertido de que à sua crença faltam provas. Suponho que se sua natureza é tal que você deseja conforto em suas provações e um amor que o apoie e encoraje, você não procurará provas nem terá necessidade delas. Sua intuição será suficiente.
Misticismo está além das provas e, na verdade, não pede senão uma convicção vivenciada. É independente de credos, pois encontra apoio em todos eles, e é tão pessoal que satisfaz qualquer idiossincrasia. É o sentimento de que o mundo em que vivemos não é senão parte do universo espiritual do qual adquire significância; é o sentido de um Deus presente que nos dá força e nos conforta. Os místicos narraram suas experiências em termos tão freqüentemente similares que não vejo como negar-lhes realidade. De fato, tive eu próprio, numa certa ocasião, uma experiência que só pude descrever com palavras que os místicos usam para descrever seu êxtase. Eu estava sentado em uma mesquita abandonada perto do Cairo quando, de repente, senti-me arrebatado como Ignácio de Loyola sentado às margens do rio em Manresa. Tive um sentido irresistível do poder e da grandeza do universo e um íntimo e estilhaçado sentido de comunhão com ele. Quase posso dizer que senti a presença de Deus. É, sem dúvida, uma sensação bastante comum, e os místicos tiveram o cuidado de valorizá-la somente quando sua influência podia ser claramente vista em seus resultados. Penso que ela pode ser ocasionada por outras causas que não religiosas. Os próprios homens santos admitiram voluntariamente que os artistas podem ter essa experiência e que o amor, como se sabe, pode produzir um estado parecido de tal modo que os místicos se viram na situação de usar frases de homens amorosos para expressar a sua visão beatífica. Não sei se isso é mais misterioso do que a situação, que os psicólogos ainda não explicaram, em que você tem um forte sentimento de que em algum momento do passado você viveu uma experiência parecida com a que você está vivendo. O êxtase do místico é bastante real, mas é válido só para ele. O místico e o cético concordam num ponto, de que ao fim e ao cabo de todos nossos esforços intelectuais permanece um grande mistério.
Diante disso, extasiado pela imensidão do universo e descontente com o que os filósofos me contaram e também os santos, fui, algumas vezes, para além de Maomé, de Jesus, de Buda, dos deuses da Grécia, de Jeová, de Baal, até os brâmanes dos Upanishads. Esse espírito, se espírito puder ser chamado, auto-criado e independente de qualquer outra existência, embora tudo que exista, existe nele, única fonte da vida em tudo que vive, tem pelo menos uma grandeza que satisfaz a imaginação. Mas estive muito tempo ocupado com palavras para não desconfiar delas e ao olhar para essas que escrevi não posso deixar de concordar que seu sentido é muito tênue. Em religião, acima de todas as coisas, a única coisa que importa é uma verdade objetiva. O único Deus que conta é um ser que é pessoal, supremo e bom e cuja existência seja tão certa quanto dois e dois são quatro. Não posso penetrar o mistério. Permaneço um agnóstico, e a conseqüência prática do agnosticismo é que você age como se Deus não existisse." (Carlos Vogt)
Esse fenômeno, que hoje tem no mundo uma certa amplitude e generalização, reflete-se também aqui no Brasil, em particular em algumas situações como a que vive o ensino público no Rio de Janeiro em que a adoção oficial de uma linha criacionista exclusiva cria, para dizer o mínimo, embaraços de clareza ao entendimento e à razão.
Como as questões de fé têm razões que a própria razão desconhece e como a razão tende a se embaraçar consigo mesma, quando se trata da fé na razão e de tentar explicar e entender a razão da fé, não é simples, nem tampouco trivial optar por uma coisa ou outra sem os dogmatismos eclesiásticos ou laicos que tanto ruído causam à convivência das boas perguntas com o esforço sincero da demonstração das respostas apresentadas em bem arquitetadas hipóteses de verdade, de beleza e de bondade, divinas ou humanas, pouco importa, porque sempre formuladas pelo próprio homem.
A pretexto dessa discussão, traduzo aqui, de modo livre e quase que inteiramente, o capítulo LXIX do livro Summing up, de Somerset Maugham, publicado pela primeira vez em 1938, no qual, como o nome em inglês sugere, o autor faz um resumo, uma súmula de sua vida intelectual de escritor.
Por alguns capítulos, o autor discute a questão do sentido da vida, na hipótese de que ela tenha algum, trata de diferentes filósofos e filosofias, de religião, das leituras-guias de sua indagação em busca de respostas e vai consolidando, para si e para o leitor que o acompanha na viagem intelectual, a convicção do agnosticismo afirmado como fecho do capítulo.
O texto aqui traduzido pode contribuir ao debate de dois modos: pela fineza argumentativa e poética de sua construção enunciativa; pela beleza simples e clara do conteúdo enunciado.
"mas ainda não tratei do tema do mal. O problema aumenta quando se considera se Deus existe, e se existe, que natureza lhe deve ser atribuída. Houve um tempo em que, como todo mundo, dediquei-me à literatura dos trabalhos dos físicos. Estava, então, tomado pelo arrebatamento da contemplação das inúmeras distâncias que separam as estrelas e pelos vastos períodos de tempo que sua luz tem de atravessar para chegar até nós. Eu estava entorpecido pela inimaginável extensão das nebulosas. Se entendi direito o que li, devo supor que no começo as duas forças de atração e de repulsão se compensavam de maneira que o universo, por incontáveis eras, permaneceu em perfeito equilíbrio. Então, em algum momento houve um distúrbio e o universo, saindo deste estado de equilíbrio, deu origem ao universo que nos é contado pelos astrônomos e à pequena Terra que conhecemos. Mas o quê causou o ato original de criação e o que transtornou o equilíbrio do universo? Parece inevitável apontar para a concepção de um criador e o que, senão um ser todo poderoso, poderia criar este vasto e estupendo universo? Mas aí o mal do mundo nos força à conclusão de que este ser não pode ser todo poderoso e todo bondade. Justamente um Deus todo poderoso poderia ser acusado pelo mal do mundo, parecendo, assim, absurdo considerá-lo com admiração e tratá-lo com devoção. Mas a razão e o coração se revoltam contra a concepção de um Deus que não seja só bondade. Somos, então, forçados a aceitar a suposição de um Deus que não seja todo poderoso: tal Deus não contém em si mesmo nenhuma explicação para a sua própria existência ou para a existência do universo que ele criou.
É um fato singular que quando se lêem os documentos nos quais se fundam as grandes religiões do mundo se observe que através dos tempos se leu neles muito mais do que eles contêm. Seus ensinamentos, seus exemplos criaram um ideal maior do que eles próprios. Muitos de nós ficamos embaraçados quando recebemos cumprimentos e louvaminhas. É estranho que o devoto pense que Deus possa comprazer-se quando faz, sensivelmente, o mesmo com Ele. Quando eu era jovem, tinha um amigo mais velho que me pedia freqüentemente para ficar com ele em sua cidade. Era um homem religioso que lia preces para a família reunida toda manhã. Mas ele tinha rasurado com lápis todas as passagens do Livro das Orações que louvavam a Deus. Ele dizia que não havia nada mais vulgar do que ficar elogiando as pessoas na frente delas próprias e que ele, um cavalheiro também, não podia acreditar que Deus fosse tão deselegante a ponto de gostar disso. Na época, parecia-me uma excentricidade. Hoje penso que meu amigo tinha muito bom senso.
O ser humano é apaixonado, é fraco, é estúpido, é digno de piedade; atrair para ele algo tão tremendo quanto a cólera de Deus parece estranhamente inepto. Não é difícil perdoar nos outros os seus pecados. Quando nos pomos nas suas peles, em geral é fácil ver o que os levou a fazer coisas que não deveriam ter feito e podem se encontrar desculpas para eles. Há um instinto natural de raiva quando algo é feito a alguém que o leva a agir com vingança, e é difícil para quem está envolvido tomar uma atitude de distanciamento; mas uma pequena reflexão permite-nos olhar a situação de fora e com alguma prática é possível perdoar o dano feito por uma pessoa mais do que por outra. É muito mais difícil para as pessoas perdoarem o que se faz contra elas próprias; para isso é preciso, de fato, um poder de espírito muito especial.
Todo artista deseja que acreditem nele, mas não se zanga com aqueles que não aceitam o que ele pretende comunicar. Deus não é tão razoável. Ele anseia tanto ser acreditado que você pode pensar que ele necessita de sua crença para assegurar-se de sua própria existência. Ele promete recompensas àqueles que acreditam nele e ameaça com punições terríveis aqueles que não acreditam. Quanto a mim, não posso acreditar em um Deus que se zanga comigo porque não acredito nele. Não posso crer em um Deus que é menos tolerante do que eu. Não posso acreditar em um Deus que não tem nem humor nem senso comum. Plutarco, há muito tempo atrás, pôs a questão de maneira sucinta. 'Prefiro muito mais que os homens digam de mim que nunca existiu, nem existe um Plutarco, do que digam que Plutarco é um homem inconstante, volúvel, irascível, vingativo por pequenas provocações e aborrecido com bobagens'.
Embora os homens tenham atribuído a Deus imperfeições que eles deplorariam neles próprios isso não prova, contudo, que Deus não existe. Prova apenas que as religiões que os homens aceitaram não são mais que trilhas sem rumo cortadas numa impenetrável floresta, nenhuma delas levando ao coração do grande mistério. Vários argumentos foram aduzidos para provar a existência de Deus, e eu quero pedir ao leitor que seja paciente comigo enquanto os considero aqui de maneira bastante breve. Um deles assume que o homem tem uma idéia de um ser perfeito; e já que a perfeição inclui a existência, então um ser perfeito deve existir. Um outro sustenta que todo acontecimento tem uma causa e uma vez que o universo existe, deve haver uma causa dessa existência e esta causa é o Criador. Um terceiro, o argumento do desígnio, que Kant disse ser o mais claro, o mais antigo e o que melhor se adequa à razão humana é assim afirmado por um dos personagens nos grandes diálogos de Hume: 'a ordem e o arranjo da natureza, o curioso ajuste das causas finais, o uso simples e a intenção de todas as partes e órgãos, tudo isso indica claramente uma causa inteligente ou um Autor.' Mas Kant mostrou de modo conclusivo que não havia nada a dizer a favor desse argumento que não pudesse ser dito dos outros dois. Em seu lugar propôs um outro. Em poucas palavras, trata-se do argumento de que sem Deus não há garantia de que o senso de responsabilidade, que pressupõe um eu livre e real, não é uma ilusão, seguindo-se daí que é moralmente necessário acreditar em Deus. Contudo, isso pode ser creditado, de um modo geral, mais à natureza amigável de Kant do que à sua sutil inteligência. O argumento que me parece mais persuasivo do que todos esses outros é um que agora está em desuso. É conhecido como a prova e consensu gentium. Afirma que todo homem, desde a origem mais remota, tem alguma forma de crença em Deus, e que é difícil imaginar que essa crença que cresceu com a raça humana, aceita pelos sábios do oriente e pelos filósofos da Grécia, os grandes escolásticos, não tenha, de fato, nenhum fundamento. Pareceu a muitos uma crença instintiva e pode ser que assim seja (pode ser, porque nada aqui é seguro) já que um instinto não existe a menos que haja uma possibilidade de que ele seja satisfeito. A experiência tem mostrado que a prevalência de uma crença, não importa por quanto tempo ela tenha se sustentado, não é garantia de sua verdade. Perece, assim, que nenhum dos argumentos para a existência de Deus é válido. Mas, é claro que não se desaprova sua existência porque não se pode prová-la. Respeito e admiração permanecem no sentido de desamparo do homem diante de seu desejo de atingir a harmonia entre si e o universo. Essas, mais do que a adoração da natureza ou a veneração dos ancestrais, mágica ou moralidade, são as fontes da religião. Não há razão para crer que aquilo que se deseja, existe, mas é um exagero dizer que você não tem direito de acreditar naquilo que você não pode provar; não há razão por que você não deva continuar acreditando mesmo advertido de que à sua crença faltam provas. Suponho que se sua natureza é tal que você deseja conforto em suas provações e um amor que o apoie e encoraje, você não procurará provas nem terá necessidade delas. Sua intuição será suficiente.
Misticismo está além das provas e, na verdade, não pede senão uma convicção vivenciada. É independente de credos, pois encontra apoio em todos eles, e é tão pessoal que satisfaz qualquer idiossincrasia. É o sentimento de que o mundo em que vivemos não é senão parte do universo espiritual do qual adquire significância; é o sentido de um Deus presente que nos dá força e nos conforta. Os místicos narraram suas experiências em termos tão freqüentemente similares que não vejo como negar-lhes realidade. De fato, tive eu próprio, numa certa ocasião, uma experiência que só pude descrever com palavras que os místicos usam para descrever seu êxtase. Eu estava sentado em uma mesquita abandonada perto do Cairo quando, de repente, senti-me arrebatado como Ignácio de Loyola sentado às margens do rio em Manresa. Tive um sentido irresistível do poder e da grandeza do universo e um íntimo e estilhaçado sentido de comunhão com ele. Quase posso dizer que senti a presença de Deus. É, sem dúvida, uma sensação bastante comum, e os místicos tiveram o cuidado de valorizá-la somente quando sua influência podia ser claramente vista em seus resultados. Penso que ela pode ser ocasionada por outras causas que não religiosas. Os próprios homens santos admitiram voluntariamente que os artistas podem ter essa experiência e que o amor, como se sabe, pode produzir um estado parecido de tal modo que os místicos se viram na situação de usar frases de homens amorosos para expressar a sua visão beatífica. Não sei se isso é mais misterioso do que a situação, que os psicólogos ainda não explicaram, em que você tem um forte sentimento de que em algum momento do passado você viveu uma experiência parecida com a que você está vivendo. O êxtase do místico é bastante real, mas é válido só para ele. O místico e o cético concordam num ponto, de que ao fim e ao cabo de todos nossos esforços intelectuais permanece um grande mistério.
Diante disso, extasiado pela imensidão do universo e descontente com o que os filósofos me contaram e também os santos, fui, algumas vezes, para além de Maomé, de Jesus, de Buda, dos deuses da Grécia, de Jeová, de Baal, até os brâmanes dos Upanishads. Esse espírito, se espírito puder ser chamado, auto-criado e independente de qualquer outra existência, embora tudo que exista, existe nele, única fonte da vida em tudo que vive, tem pelo menos uma grandeza que satisfaz a imaginação. Mas estive muito tempo ocupado com palavras para não desconfiar delas e ao olhar para essas que escrevi não posso deixar de concordar que seu sentido é muito tênue. Em religião, acima de todas as coisas, a única coisa que importa é uma verdade objetiva. O único Deus que conta é um ser que é pessoal, supremo e bom e cuja existência seja tão certa quanto dois e dois são quatro. Não posso penetrar o mistério. Permaneço um agnóstico, e a conseqüência prática do agnosticismo é que você age como se Deus não existisse." (Carlos Vogt)
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Valentino, o Gnóstico
Entre os grandes formadores da mentalidade cristã e ao lado de nomes conhecidos como Tomé, João e Paulo, deve ser mencionado um grande mestre cristão que atuou em Roma nos anos 130-140 dC e era proveniente do Egito.
Seu nome foi extirpado da tradição cristã, mas numa consideração especificamente histórica - que é a nossa aqui - não se pode omiti-lo, pois foi importante demais. Os seguidores de Valentino, que a partir da primeira parte do século II se espalharam de Roma por toda parte e tiveram grande sucesso durante séculos, autodenominavam-se, com orgulho, de ‘gnósticos’, ou seja: os que sabem, que entendem, diante de ignorantes e ingênuos. Houve gnósticos famosos como Taciano que elaborou o primeiro evangelho unificado (juntou os quatro evangelhos num só) que foi lido e copiado durante séculos, no Oriente cristão sobretudo, ou ainda Marcião que fez uma releitura genial da obra do Apóstolo Paulo. O gnosticismo era um movimento de intelectuais e o próprio Valentino foi um homem de extraordinária inteligência, cuja proposta não pode ser omitida, mesmo num breve relato como este. Ele ensinava que o mundo foi originalmente puro espírito mas que por algum erro entrou a matéria. Precisa-se fugir da matéria, deixá-la de lado, e cultivar o espírito. Só os gnósticos escapam, pois só eles conhecem essa história da formação do mundo. Os demais, vivem na superficialidade e no erro. O gnosticismo ora desemboca num ascetismo severo, ora numa licenciosidade anárquica, nunca num compromisso sério com a construção de um mundo melhor.
Para o gnóstico, o mundo não tem importância. Precisa-se fugir dele através de um conhecimento superior, deixando ele perder-se no vácuo.
Embora o gnosticismo fosse rejeitado pela igreja, deve-se reconhecer sua grande influência sobre o cristianismo histórico. Muitos ainda hoje aceitam o ‘dogma’ gnóstico de que só o espírito vale, a matéria não. Eles dizem: precisa-se buscar a Deus em oração, não engajar-se em movimentos sociais. E oram: ‘Pai nosso que estas no céu’, mas não ‘seja feita a tua vontade na Terra’. Pois a Terra, afinal, não vale nada e por isso os ‘sem-terra’ estão equivocados, deviam desprender-se de preocupações puramente materiais, como a da conquista da terra e suplicar a Deus pela salvação de suas almas.
Seu nome foi extirpado da tradição cristã, mas numa consideração especificamente histórica - que é a nossa aqui - não se pode omiti-lo, pois foi importante demais. Os seguidores de Valentino, que a partir da primeira parte do século II se espalharam de Roma por toda parte e tiveram grande sucesso durante séculos, autodenominavam-se, com orgulho, de ‘gnósticos’, ou seja: os que sabem, que entendem, diante de ignorantes e ingênuos. Houve gnósticos famosos como Taciano que elaborou o primeiro evangelho unificado (juntou os quatro evangelhos num só) que foi lido e copiado durante séculos, no Oriente cristão sobretudo, ou ainda Marcião que fez uma releitura genial da obra do Apóstolo Paulo. O gnosticismo era um movimento de intelectuais e o próprio Valentino foi um homem de extraordinária inteligência, cuja proposta não pode ser omitida, mesmo num breve relato como este. Ele ensinava que o mundo foi originalmente puro espírito mas que por algum erro entrou a matéria. Precisa-se fugir da matéria, deixá-la de lado, e cultivar o espírito. Só os gnósticos escapam, pois só eles conhecem essa história da formação do mundo. Os demais, vivem na superficialidade e no erro. O gnosticismo ora desemboca num ascetismo severo, ora numa licenciosidade anárquica, nunca num compromisso sério com a construção de um mundo melhor.
Para o gnóstico, o mundo não tem importância. Precisa-se fugir dele através de um conhecimento superior, deixando ele perder-se no vácuo.
Embora o gnosticismo fosse rejeitado pela igreja, deve-se reconhecer sua grande influência sobre o cristianismo histórico. Muitos ainda hoje aceitam o ‘dogma’ gnóstico de que só o espírito vale, a matéria não. Eles dizem: precisa-se buscar a Deus em oração, não engajar-se em movimentos sociais. E oram: ‘Pai nosso que estas no céu’, mas não ‘seja feita a tua vontade na Terra’. Pois a Terra, afinal, não vale nada e por isso os ‘sem-terra’ estão equivocados, deviam desprender-se de preocupações puramente materiais, como a da conquista da terra e suplicar a Deus pela salvação de suas almas.
Pensamento de Senna do Brasil
Nunca precisei mostrar que em determinado GP eu estava com uma loira de olhos azuis ou em outro GP com uma morenaça. Quando aconteceu, foi uma coisa natural e nunca para mostrar aos outros que eu sou garanhão e tenho dezenas de mulheres. Se eu tive uma dezena de mulheres, foi para mim mesmo. (Ayrton Senna)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
O Mestre Jesus
Ele é hoje Instrutor do Mundo e continua trabalhando incansavelmente pelo despertar da consciência crística na humanidade
Como homem encarnado, o bem-amado Jesus ofereceu-nos um espelho para a visão mais gloriosa de nós mesmos: a de Filhos de Deus, capazes de amar incondicionalmente e de transcender todos os limites e ilusões da matéria, sobretudo a morte. "Aquilo que eu faço, também vós sois capazes de fazer, e outras coisas ainda maiores", disse ele, afirmando a nossa ilimitada potencialidade divina.
Ele sabia que teria poucos seguidores enquanto estivesse no mundo físico e também qual seria o desfecho de sua encarnação. Apesar de todos os revezes e oposições que sofreu, concluiu com absoluto êxito a missão de ancorar a energia crística de amor-sabedoria no planeta. Plantou sementes no coração dos homens, sementes que eclodiriam algum tempo depois preparando-nos para a compreensão de verdades maiores que se revelariam conforme o desenvolvimento de cada um.
Os Evangelhos, como registro histórico de sua mensagem à humanidade, não traduzem a profundidade de seus ensinamentos. Muito do que Jesus ensinou sequer foi captado pelos homens da época, e muito ainda foi distorcido nas sucessivas revisões dos escritos evangélicos com o passar dos séculos. Mas isso não tem tanta importância se considerarmos que nosso amado Mestre continua sustentando o despertar da humanidade.
Logo após sua ascensão, ele assumiu o cargo de Diretor da Era de Peixes, ciclo evolutivo que iniciou-se com sua missão e findou em 1954. Nesse período, foi também Chohan (dispensador) do Sexto Raio, a energia de Deus que eleva a vida e os seres por meio da devoção, da compaixão e da entrega.
Atualmente, Mestre Jesus exerce, ao lado do Mestre Kuthumi, o cargo de Instrutor do Mundo. Ele dirige, agora de maneira ainda mais abrangente, as questões relativas ao desenvolvimento da espiritualidade, da educação, da religião e da ética para a humanidade terrestre. Seu templo etérico localiza-se sobre a Jerusalém e sua música-chave é Jesus Alegria dos Homens, de Bach.
Em Seu Sagrado Nome, podemos sempre solicitar a ajuda necessária para a ampliação da nossa consciência e o florescimento do amor incondicional em nosso coração. E temos ainda os profundos ensinamentos que ele nos oferece em Um Curso em Milagres, canalizados por uma psiquiatra americana há 40 anos. Nessa obra de valor incomensurável, Mestre Jesus guia-nos no processo de cura das ilusões do mundo físico e restabelecimento da nossa consciência original como Filhos de Deus.
Invocação do poder de Jesus
O nome Jesus é um poderoso mantra, de vibração tão intensa que afasta toda influência negativa que tente nos afetar. Ao pressentir um perigo, penetrar num ambiente de energias pesadas ou expor-se a situações de negatividade, faça o seguinte decreto:
Em nome da minha Presença EU SOU e do Senhor Jesus, ordeno que se afaste toda e qualquer influência negativa
Afirmações transfiguradoras de Mestre Jesus
EU SOU o que EU SOU
EU SOU a porta aberta que homem nenhum pode fechar
EU SOU a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo
EU SOU o caminho, EU SOU a verdade
EU SOU a vida, EU SOU a ressurreição
EU SOU a ascensão na Luz
EU SOU a satisfação de todas as minhas necessidades e carências
EU SOU a abundância derramada sobre toda a vida
EU SOU a visão e a audição perfeitas
EU SOU a ilimitada Luz de Deus manifestada por toda a parte
EU SOU a Luz do Santo dos Santos
EU SOU um filho de Deus
EU SOU a luz na sagrada montanha de Deus
Como homem encarnado, o bem-amado Jesus ofereceu-nos um espelho para a visão mais gloriosa de nós mesmos: a de Filhos de Deus, capazes de amar incondicionalmente e de transcender todos os limites e ilusões da matéria, sobretudo a morte. "Aquilo que eu faço, também vós sois capazes de fazer, e outras coisas ainda maiores", disse ele, afirmando a nossa ilimitada potencialidade divina.
Ele sabia que teria poucos seguidores enquanto estivesse no mundo físico e também qual seria o desfecho de sua encarnação. Apesar de todos os revezes e oposições que sofreu, concluiu com absoluto êxito a missão de ancorar a energia crística de amor-sabedoria no planeta. Plantou sementes no coração dos homens, sementes que eclodiriam algum tempo depois preparando-nos para a compreensão de verdades maiores que se revelariam conforme o desenvolvimento de cada um.
Os Evangelhos, como registro histórico de sua mensagem à humanidade, não traduzem a profundidade de seus ensinamentos. Muito do que Jesus ensinou sequer foi captado pelos homens da época, e muito ainda foi distorcido nas sucessivas revisões dos escritos evangélicos com o passar dos séculos. Mas isso não tem tanta importância se considerarmos que nosso amado Mestre continua sustentando o despertar da humanidade.
Logo após sua ascensão, ele assumiu o cargo de Diretor da Era de Peixes, ciclo evolutivo que iniciou-se com sua missão e findou em 1954. Nesse período, foi também Chohan (dispensador) do Sexto Raio, a energia de Deus que eleva a vida e os seres por meio da devoção, da compaixão e da entrega.
Atualmente, Mestre Jesus exerce, ao lado do Mestre Kuthumi, o cargo de Instrutor do Mundo. Ele dirige, agora de maneira ainda mais abrangente, as questões relativas ao desenvolvimento da espiritualidade, da educação, da religião e da ética para a humanidade terrestre. Seu templo etérico localiza-se sobre a Jerusalém e sua música-chave é Jesus Alegria dos Homens, de Bach.
Em Seu Sagrado Nome, podemos sempre solicitar a ajuda necessária para a ampliação da nossa consciência e o florescimento do amor incondicional em nosso coração. E temos ainda os profundos ensinamentos que ele nos oferece em Um Curso em Milagres, canalizados por uma psiquiatra americana há 40 anos. Nessa obra de valor incomensurável, Mestre Jesus guia-nos no processo de cura das ilusões do mundo físico e restabelecimento da nossa consciência original como Filhos de Deus.
Invocação do poder de Jesus
O nome Jesus é um poderoso mantra, de vibração tão intensa que afasta toda influência negativa que tente nos afetar. Ao pressentir um perigo, penetrar num ambiente de energias pesadas ou expor-se a situações de negatividade, faça o seguinte decreto:
Em nome da minha Presença EU SOU e do Senhor Jesus, ordeno que se afaste toda e qualquer influência negativa
Afirmações transfiguradoras de Mestre Jesus
EU SOU o que EU SOU
EU SOU a porta aberta que homem nenhum pode fechar
EU SOU a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo
EU SOU o caminho, EU SOU a verdade
EU SOU a vida, EU SOU a ressurreição
EU SOU a ascensão na Luz
EU SOU a satisfação de todas as minhas necessidades e carências
EU SOU a abundância derramada sobre toda a vida
EU SOU a visão e a audição perfeitas
EU SOU a ilimitada Luz de Deus manifestada por toda a parte
EU SOU a Luz do Santo dos Santos
EU SOU um filho de Deus
EU SOU a luz na sagrada montanha de Deus
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Seria Bento XVI o Penúltimo Papa?
Seria Bento XVI o Penúltimo Papa? Karl Bunn faz uma abordagem interessante sobre o momento histórico em que vive a Humanidade, confrontando-se com o mundo religioso, e conseqüentemente, com a atenção voltada para o catolicismo romano, que sinaliza, com sua atuação, para dias de turbulências, que ninguém pode dimensionar tamanha magnitude. É esse um questionamento razoável, apesar que muitos podem classificá-lo como especulativo, no campo da mística-espiritual. Existem profecias e predições sobre o assunto, que merecem ser anotadas e levadas a sério
Na verdade, parece que estamos num labireinto, de onde podemos sair com a palavra Lapidar, que é atribuída ao penúltimo papa. São Bento é o criador e patriarca da vida monacal dentro da Igreja. Sua Ordem é a Ordem dos Beneditinos.Também conhecida como Olivetanos, ou das Oliveiras. Logo, é bem aplicável a palavra lapidar, de Malaquias para o novo papa ao ter assumido a série papal dos Bentos ou Beneditinos Olivetanos: De Gloriae Olivae. Mas, o que poucos compreendem ou conseguem antever é o 16 após o Bento. Esse 16, no é a Torre Fulminada. É a mesma Carta que saiu no julgamento da Humanidade em 1950. O que quer dizer isso? Isso nos conduz ao extremo, fazendo-nos crer em fatalidade, em destruição e desastres.
As razões para seu papado terminar em desastre e num “racha” na Igreja Romana são muitas. O novo papa se mostra conservador, o que é uma virtude em se tratando de fé. Mas, por recorrência, ele era o responsável pela ordem sucessora do nefasto Santo Ofício medieval, que torturou e queimou milhares na Europa – um terrível carma repousa sobre esse “santo” Ofício, hoje responsável pelos assuntos da fé cristã.O mundo gostaria de ver o novo papa liberalizando usos e costumes modernos, como anticoncepcionais, abortos, casamentos homossexuais e pesquisas com células-tronco, um eufemismo para assassinato de fetos, que só uma ciência anticristã poderia levar adiante. Sem considerar a liberação das novas teologias, que mais e mais se afastam do cerne doutrinário original, em lugar disso deveriam estudar O Cristo Social e Transformação Social da Humanidade, que Samael Aun Weor pretendia em sua filosofia mística.Portanto, de um lado temos os ultraconservadores, dos quais o novo papa é o máximo expoente. De outro lado temos a ala progressista, que simpatiza com a simplificação ainda maior da doutrina do Cristo e dos Apóstolos, como se não bastasse havê-la reduzido a um amontoado de crenças e superstições nesses dois mil anos. Portanto, o cenário do “racha” está pronto. Isso é apenas uma questão de tempo.A missão deste novo papa é bem difícil. A Igreja Romana está mergulhada em enormes problemas, como os escândalos de pedofilia e a fuga maciça de ovelhas para outros rebanhos. Nos países de terceiro mundo os padres são célibes apenas na aparência, com as exceções de sempre, porque grande parte tem suas amantes, e isso é do conhecimento de Roma. Não que a vida não-celibatária dos padres seja um problema maior a nosso ver. Do ponto de vista espiritual-esotérico a repressão pura e simples é mais desastrosa que levar uma vida normal. Faltou a São Bento haver escrito em suas regras os procedimentos da Castidade Científica, como ensina a Gnose. Isso teria evitado tantos escândalos sexuais na história da Igreja Romana. Seja como for, esse papado tem tudo para ser curto, e nao é especificamente pela sua frágil saúde ou sua idade avançada. Dizem certas profecias que seu papado pode terminar antes de 2010. Pessoalmente, não acreditamos em datas, visto que não é dado aos humanos conhecer com precisão as datas... O nome escolhido - Bento XVI - é uma mensagem cifrada, bem coerente com o espírito conservador do cardeal Ratzinger. O Bento anterior estava à frente da Igreja Romana na I Guerra Mundial. E há tudo armado para o Bento XVI estar à frente da mesma Igreja na III Guerra Mundial, que se avizinha muito rápido. O fato de ele ser alemão também tem um significado importante, porque cada povo, nação ou tribo tem um traço fundamental e desempenha um papel no mundo. Não por acaso a Alemanha foi causa de duas guerras mundiais. Portanto, a escolha de um alemão implica num significado relacionado à forma como tudo irá ser conduzido e acontecer nos próximos anos dentro da Igreja.A frase lapidar De Gloriae Olivae esconderá ainda por algum tempo a causa secreta de seu epíteto. Não cremos que ver a Igreja destruída ou levá-la à destruição seja A Glória das Oliveiras , sem importar se essa destruição venha por causa de um cisma, muito provável e/ou por meio do desentendimento dos homens no campo político, mergulhando o mundo na destruição global - que é o vaticínio mais forte e definitivo previsto para nossos dias. Os próximos anos serão definitivos na história da atual Humanidade. - Jairo de Lima Alves
Na verdade, parece que estamos num labireinto, de onde podemos sair com a palavra Lapidar, que é atribuída ao penúltimo papa. São Bento é o criador e patriarca da vida monacal dentro da Igreja. Sua Ordem é a Ordem dos Beneditinos.Também conhecida como Olivetanos, ou das Oliveiras. Logo, é bem aplicável a palavra lapidar, de Malaquias para o novo papa ao ter assumido a série papal dos Bentos ou Beneditinos Olivetanos: De Gloriae Olivae. Mas, o que poucos compreendem ou conseguem antever é o 16 após o Bento. Esse 16, no é a Torre Fulminada. É a mesma Carta que saiu no julgamento da Humanidade em 1950. O que quer dizer isso? Isso nos conduz ao extremo, fazendo-nos crer em fatalidade, em destruição e desastres.
As razões para seu papado terminar em desastre e num “racha” na Igreja Romana são muitas. O novo papa se mostra conservador, o que é uma virtude em se tratando de fé. Mas, por recorrência, ele era o responsável pela ordem sucessora do nefasto Santo Ofício medieval, que torturou e queimou milhares na Europa – um terrível carma repousa sobre esse “santo” Ofício, hoje responsável pelos assuntos da fé cristã.O mundo gostaria de ver o novo papa liberalizando usos e costumes modernos, como anticoncepcionais, abortos, casamentos homossexuais e pesquisas com células-tronco, um eufemismo para assassinato de fetos, que só uma ciência anticristã poderia levar adiante. Sem considerar a liberação das novas teologias, que mais e mais se afastam do cerne doutrinário original, em lugar disso deveriam estudar O Cristo Social e Transformação Social da Humanidade, que Samael Aun Weor pretendia em sua filosofia mística.Portanto, de um lado temos os ultraconservadores, dos quais o novo papa é o máximo expoente. De outro lado temos a ala progressista, que simpatiza com a simplificação ainda maior da doutrina do Cristo e dos Apóstolos, como se não bastasse havê-la reduzido a um amontoado de crenças e superstições nesses dois mil anos. Portanto, o cenário do “racha” está pronto. Isso é apenas uma questão de tempo.A missão deste novo papa é bem difícil. A Igreja Romana está mergulhada em enormes problemas, como os escândalos de pedofilia e a fuga maciça de ovelhas para outros rebanhos. Nos países de terceiro mundo os padres são célibes apenas na aparência, com as exceções de sempre, porque grande parte tem suas amantes, e isso é do conhecimento de Roma. Não que a vida não-celibatária dos padres seja um problema maior a nosso ver. Do ponto de vista espiritual-esotérico a repressão pura e simples é mais desastrosa que levar uma vida normal. Faltou a São Bento haver escrito em suas regras os procedimentos da Castidade Científica, como ensina a Gnose. Isso teria evitado tantos escândalos sexuais na história da Igreja Romana. Seja como for, esse papado tem tudo para ser curto, e nao é especificamente pela sua frágil saúde ou sua idade avançada. Dizem certas profecias que seu papado pode terminar antes de 2010. Pessoalmente, não acreditamos em datas, visto que não é dado aos humanos conhecer com precisão as datas... O nome escolhido - Bento XVI - é uma mensagem cifrada, bem coerente com o espírito conservador do cardeal Ratzinger. O Bento anterior estava à frente da Igreja Romana na I Guerra Mundial. E há tudo armado para o Bento XVI estar à frente da mesma Igreja na III Guerra Mundial, que se avizinha muito rápido. O fato de ele ser alemão também tem um significado importante, porque cada povo, nação ou tribo tem um traço fundamental e desempenha um papel no mundo. Não por acaso a Alemanha foi causa de duas guerras mundiais. Portanto, a escolha de um alemão implica num significado relacionado à forma como tudo irá ser conduzido e acontecer nos próximos anos dentro da Igreja.A frase lapidar De Gloriae Olivae esconderá ainda por algum tempo a causa secreta de seu epíteto. Não cremos que ver a Igreja destruída ou levá-la à destruição seja A Glória das Oliveiras , sem importar se essa destruição venha por causa de um cisma, muito provável e/ou por meio do desentendimento dos homens no campo político, mergulhando o mundo na destruição global - que é o vaticínio mais forte e definitivo previsto para nossos dias. Os próximos anos serão definitivos na história da atual Humanidade. - Jairo de Lima Alves
Pensamento de Sabino
"Analfabetismo - Ninguém precisa aprender a ler para trabalhar na enxada. - Não precisamos de escolas: precisamos de médicos. - Mas a ignorância é responsável pela doença e a miséria! - Saem da escola e na roça esquecem o que aprenderam. - Não querem mais voltar para a lavoura." - Fernando Sabino
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
A Viola e a Guitarra na Música Brasileira
Essa dupla é inconfundível e revoluciona ainda a música brasileira, em função de sua popularidade, pela instrumentalidades de notáveis artistas, desde a música raiz até a romântica moderna de nossos dias.
A riqueza da música sertaneja de raiz está na diversidade de seus toques. Assim, mantendo as características básicas de harmonia, a essência da música sertaneja de raiz não é voltada às variações e alterações de acordes, mas à complexidade dos toques.
Enfocando música sertaneja de raiz a partir da viola sertaneja, temos como um bom parâmetro Cornélio Pires, com suas modas, anedotas e "causos", cujo personagem foi a figura do caipira, no final da década de 1920, mais precisamente no ano de 1929. Cornélio consegue reunir e financiar gravações de discos e apresentações em rádios e em circos, das principais duplas da capital e do interior de São Paulo. Cantando em duas vozes e tocando viola e violão, as músicas dessa fase na sua maioria são conhecidas como modas de viola. São muitas duplas, mas podemos destacar Tonico e Tinoco, apresentando sucessos genuinamente da música sertaneja de raiz, reativando o gosto pela viola sertaneja entre as platéias urbanas.
A música sertaneja de raiz estava no auge entre 1940 e 1960. Porém a modernização da agricultura e outros valores dos centros urbanos começaram a esvaziar o campo. A força da televisão, supervalorizando conceitos considerados modernos, contrapondo-se à fragilidade da nossa formação cultural, abalou as velhas tradições. O som do instrumento passou então a ser considerado fora de moda e, em conseqüência, pouco ouvido na cidade. No entanto, o modismo teve que se curvar à grande força e riqueza da genuinidade da música brasileira raiz e aos poucos, a velha viola foi retornando aos palcos e aos grandes festivais.
Na rua das Palmeiras, centro da cidade de São Paulo, os violeiros fizeram do Bar dos Artistas seu ponto de encontro. O líder era João Dias Nunes, o lendário "Tião Carreiro da Viola Padroeira", que na dupla com Antonio Henrique de Lima, o Pardinho, passou a chamar-se simplesmente Tião Carreiro. Esse violeiro, que criou o seu próprio estilo, gravou mais de 50 discos. Com a sua viola sempre cantava e tocava com o braço voltado para cima, porque dizia ele: "as tarraxas de cabeça para baixo derrubam o cantador".
A partir dos anos 80, a força da mídia e de grandes empreendimentos, incentivou maciços investimentos na música caracterizada pela fusão do estilo caipira brasileiro com o country norte-americano, tendo grande influência da música mexicana, já conhecida por nós através do cinema. A viola sertaneja é então substituída pela guitarra elétrica e, na sua grande maioria, as músicas passam a ter cunho romântico, conservando a maneira de cantar em dueto, com leve identidade rural.
Tantos os artistas que tinham tradição na viola, bem como os modernos intérpretes estão adotando a viola e a guitarra em suas atividades artísticas com absoluto sucesso. A televisão brasileira e a mídia em geral, dão destaque a esse gênero musical, que é muito aplaudido no Brasil e também no exterior.
Como acontece em todos os gêneros musicais, também os amantes da viola sertaneja sempre conseguem garimpar e encontrar verdadeiras preciosidades antigas e modernas, da música sertaneja de raiz.
A junção da viola com a guitarra deu um colorido todo especial na música brasileira, transformando-a, em pouco tempo, numa das mais ricas e belas em todo o mundo.
Na produção de qualquer trabalho fonográfico, na montagem de qualquer show de sucesso, na apresentação de qualquer programa televisivo, ou mesmo entre amigos, o som da viola e da guitarra está sempre presente, para incrementar com muito brilhantismo todos os gêneros da música brasileira.
(Jairo de Lima Alves – 27/01/2008)
A riqueza da música sertaneja de raiz está na diversidade de seus toques. Assim, mantendo as características básicas de harmonia, a essência da música sertaneja de raiz não é voltada às variações e alterações de acordes, mas à complexidade dos toques.
Enfocando música sertaneja de raiz a partir da viola sertaneja, temos como um bom parâmetro Cornélio Pires, com suas modas, anedotas e "causos", cujo personagem foi a figura do caipira, no final da década de 1920, mais precisamente no ano de 1929. Cornélio consegue reunir e financiar gravações de discos e apresentações em rádios e em circos, das principais duplas da capital e do interior de São Paulo. Cantando em duas vozes e tocando viola e violão, as músicas dessa fase na sua maioria são conhecidas como modas de viola. São muitas duplas, mas podemos destacar Tonico e Tinoco, apresentando sucessos genuinamente da música sertaneja de raiz, reativando o gosto pela viola sertaneja entre as platéias urbanas.
A música sertaneja de raiz estava no auge entre 1940 e 1960. Porém a modernização da agricultura e outros valores dos centros urbanos começaram a esvaziar o campo. A força da televisão, supervalorizando conceitos considerados modernos, contrapondo-se à fragilidade da nossa formação cultural, abalou as velhas tradições. O som do instrumento passou então a ser considerado fora de moda e, em conseqüência, pouco ouvido na cidade. No entanto, o modismo teve que se curvar à grande força e riqueza da genuinidade da música brasileira raiz e aos poucos, a velha viola foi retornando aos palcos e aos grandes festivais.
Na rua das Palmeiras, centro da cidade de São Paulo, os violeiros fizeram do Bar dos Artistas seu ponto de encontro. O líder era João Dias Nunes, o lendário "Tião Carreiro da Viola Padroeira", que na dupla com Antonio Henrique de Lima, o Pardinho, passou a chamar-se simplesmente Tião Carreiro. Esse violeiro, que criou o seu próprio estilo, gravou mais de 50 discos. Com a sua viola sempre cantava e tocava com o braço voltado para cima, porque dizia ele: "as tarraxas de cabeça para baixo derrubam o cantador".
A partir dos anos 80, a força da mídia e de grandes empreendimentos, incentivou maciços investimentos na música caracterizada pela fusão do estilo caipira brasileiro com o country norte-americano, tendo grande influência da música mexicana, já conhecida por nós através do cinema. A viola sertaneja é então substituída pela guitarra elétrica e, na sua grande maioria, as músicas passam a ter cunho romântico, conservando a maneira de cantar em dueto, com leve identidade rural.
Tantos os artistas que tinham tradição na viola, bem como os modernos intérpretes estão adotando a viola e a guitarra em suas atividades artísticas com absoluto sucesso. A televisão brasileira e a mídia em geral, dão destaque a esse gênero musical, que é muito aplaudido no Brasil e também no exterior.
Como acontece em todos os gêneros musicais, também os amantes da viola sertaneja sempre conseguem garimpar e encontrar verdadeiras preciosidades antigas e modernas, da música sertaneja de raiz.
A junção da viola com a guitarra deu um colorido todo especial na música brasileira, transformando-a, em pouco tempo, numa das mais ricas e belas em todo o mundo.
Na produção de qualquer trabalho fonográfico, na montagem de qualquer show de sucesso, na apresentação de qualquer programa televisivo, ou mesmo entre amigos, o som da viola e da guitarra está sempre presente, para incrementar com muito brilhantismo todos os gêneros da música brasileira.
(Jairo de Lima Alves – 27/01/2008)
Pensamento de Drumond
"É menor pecado elogiar um mau livro sem o ler, do que depois de o ter lido. Por isso, agradeço imediatamente depois de receber o volume. Não há vida literária plenamente virtuosa." [Carlos Drummond de Andrade]
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Olá, minha gente!..
Pretendo, com este blog, estar sempre comunicando a boa mensagem com você. Vou postar aqui alguns poemas e crônicas. Quero receber sempre a sua impressão. Enfim, quero estar perto de você, sempre.
Outrossim, estarei inserindo mensagens objetivas, que tratam do dia-a-da de um modo geral, sendo algumas delas ilustradas, podendo, num fututo próximo, gerar um livro com as Pérolas Divinas.
Outrossim, estarei inserindo mensagens objetivas, que tratam do dia-a-da de um modo geral, sendo algumas delas ilustradas, podendo, num fututo próximo, gerar um livro com as Pérolas Divinas.
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